A escola inclusiva:
Discussões sobre os conceitos de deficiência múltipla e a surdocegueira
Jane Nogueira da Silva Gomes
A
escola precisa conhecer como o aluno aprende, estabelece comunicação e
compreende os conteúdos curriculares. Procurar respeitar suas limitações,
descobrir as competências e habilidades que cada um tem na individualidade do
ser. Potencializar essas competências com atividades pedagógicas diferenciadas
e objetivar resultados significativos para o aluno. E aos docentes, cabe a
todos estudar para oportunizar esses educandos a estudar com igualdade de
direito. Para Minetto:
A
proposta inclusiva estabelece para o sistema educacional vários desafios: a
conscientização da comunidade escolar e da sociedade em geral sobre a nova
maneira de entender e educar esses educandos; o investimentos sério na
preparação continuada da equipe escolar, a preparação de pessoas especializadas
na área (...); a formação(...) de professores formadores de professores e
outros para o atendimento educacional e para o desenvolvimento de pesquisas que
possam subsidiar a ação educativa empreendida.(Minetto,2010,p.36).
Inicia a
inclusão quando todos passam a ler e interpretar os conceitos que estão nos textos
que retrata as dificuldades presentes no aluno, seja com surdocegueira,
deficiência múltipla ou não.
Compreender
a deficiência múltipla e a Surdocegueira faz-se necessária fazer uma releitura
dos conceitos que alguns autores nos explicam. Conforme Lagati (1995, p.306), a
Surdocegueira
é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pelas
pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria
as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma
diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não
aditivo.
A Surdocegueira, não soma as
deficiências, haja vista que a pessoa tenha outra deficiência física,
intelectual ou dificuldades de aprendizagens.
E para isso, a escola precisa
conhecer o aluno, elaborando situações de aprendizagens que possibilite uma
comunicação ativa e mostre as características especificas que o considere como
aluno com deficiência múltipla.
A pessoa com deficiência múltipla “é
aquela tem mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que
identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de
deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual
e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002).
Outras contribuições nos apresentam
conceitos relevantes que diferenciam a deficiência múltipla da surdocegueira,
no qual propõe compreender que ambas em um indivíduo o fazem uma pessoa com
deficiência múltipla. Embora, pesquisadores conceituem como peculiar a junção
de uma deficiência sensorial e outra deficiência de natureza física ou
intelectual para própria caracterização.
Para Mclnnes,(1966) nos explicita
que a surdocegueira é uma deficiência única, que exige uma abordagem teórica
mais específica e se dividem em quatro categorias:Indivíduos que eram cegos e
adquiram a surdez; Indivíduos que eram surdos e adquiram a cegueira; Indivíduos
que adquiriram a surdocegueira e Indivíduos nasceram ou que precocemente
adquiriram essa deficiência, sem desenvolver a linguagem e as habilidades
comunicativas ou cognitivas, que lhe deram oportunidades para elaborar
conceitos sociais e familiar que pudesse viver com autonomia.
Ainda nos leva a refletir que muitos
indivíduos com surdocegueira congênita ou adquirida inesperadamente, e que têm
deficiências associadas como: física ou intelectual tem a deficiência múltipla.
As quatro categorias que podem ser
agrupadas em Surdocegos Congênitos ou Surdocegos Adquiridos. E dependendo da
idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se classificá-la em Surdocegos
Pré-Linguísticos ou Pós-Linguísticos.
A classificação que Mclnnes(1999)
conceitua de Surdocegos Pré-linguísticos quando a pessoa tornou-se surdocego
com uma base de linguagem comunicativa estabelecida e ao contrário dessa
situação encontram o indivíduo que adquiriu a surdocegueira ao nascer, ou seja,
a Surdocegueira Congênita.
Ao redimensionar um processo de
ensino e aprendizagem para pessoas com surdocegueira e que tenha agregado a
essa deficiência outra, a considera como uma pessoa com deficiência múltipla.
Porém, teremos que buscar técnicas de atendimentos, pois a surdocegueira exige
estudos e conhecimentos para ensinar e a se comunicar. Pois o indivíduo
demonstra dificuldades para observar, compreender e imitar os comportamentos
daqueles que são do seu convívio. Ao negar esses procedimentos visuais e
auditivos é preciso trabalhar as técnicas da Libras que é Língua Brasileira de
Sinais do surdo do Brasil, ou seja, a primeira língua da pessoa surda, depois a
TADOMA(Sistema de comunicação na qual a pessoa com surdocegueira recebe a fala
através do tato, a mão da pessoa com surdocegueira é colocada no queixo e nas faces da pessoa falante para perceber
todo sistema fonoarticulatório da palavra), DACTILOLOGIA e o BRAILLE. Aprender
o Português escrito, escrever com os dedos nas costas das pessoas ou na palma
da mão para comunicar-se. E pertinente a surdocegueira tenha a deficiência
intelectual utilizar os recursos didático-pedagógicos, as Tecnologias Assistivas
de baixo e alto custo.
O AEE configura como um elo entre a
sala comum, a comunidade escolar, com a família e com outros parceiros.
Compartilhando informações, orientações, sugerindo recursos pedagógicos, promover
adequação visual e tátil, que contribua com a participação dele na turma.
Apresenta características peculiares das deficiências presentes no aluno como
também mostrar como o educando aprende no caso da surdocegueira: A comunicação,
o posicionamento, a organização espacial e estrutural da escola inclusiva e
recursos para referenciar a comunicação, funcionalidade dos objetos para o uso pessoal
como também para desenvolver atividades da rotina diária e para locomoção do
aluno no espaço e no tempo.
A escola que tem o AEE precisa
proporcionar o profissional de TADOMA, LIBRAS e BRAILLE especialista nestas
técnicas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
·
BOSCO,
Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência
Múltipla (2010). Capítulo 1 – A pessoa com Surdocegueira. Capítulo 2 – A
pessoa com Deficiência Múltipla. Capítulo 3 – Necessidades Específicas das Pessoas
com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla.
·
MINETTO,
Maria de Fátima Joaquim ET ALL. Diversidade
na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. Curitiba:
IESDE, 2010. 284p.
·
IKONOMIDIS,
Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar.
·
Folheto
FACT 3 – COMMUNICATION / Primavera 2005 – Lousiana Departamento of Education
1.877.453.2721 state Board of Elementary and Secondary Education. Tradução:
Vula Maria Ikonomidis. Revisão: Shirley Rodrigues Maia. Junho de 2008.
Mossoró-RN
20/04/2014




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