domingo, 20 de abril de 2014

A escola inclusiva: Discussões sobre os conceitos de deficiência múltipla e a surdocegueira
                                                                       Jane Nogueira da Silva Gomes


A escola precisa conhecer como o aluno aprende, estabelece comunicação e compreende os conteúdos curriculares. Procurar respeitar suas limitações, descobrir as competências e habilidades que cada um tem na individualidade do ser. Potencializar essas competências com atividades pedagógicas diferenciadas e objetivar resultados significativos para o aluno. E aos docentes, cabe a todos estudar para oportunizar esses educandos a estudar com igualdade de direito. Para Minetto:
A proposta inclusiva estabelece para o sistema educacional vários desafios: a conscientização da comunidade escolar e da sociedade em geral sobre a nova maneira de entender e educar esses educandos; o investimentos sério na preparação continuada da equipe escolar, a preparação de pessoas especializadas na área (...); a formação(...) de professores formadores de professores e outros para o atendimento educacional e para o desenvolvimento de pesquisas que possam subsidiar a ação educativa empreendida.(Minetto,2010,p.36).
                Inicia a inclusão quando todos passam a ler e interpretar os conceitos que estão nos textos que retrata as dificuldades presentes no aluno, seja com surdocegueira, deficiência múltipla ou não.
Compreender a deficiência múltipla e a Surdocegueira faz-se necessária fazer uma releitura dos conceitos que alguns autores nos explicam. Conforme Lagati (1995, p.306), a
Surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pelas pela cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria as dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo.
            A Surdocegueira, não soma as deficiências, haja vista que a pessoa tenha outra deficiência física, intelectual ou dificuldades de aprendizagens.
            E para isso, a escola precisa conhecer o aluno, elaborando situações de aprendizagens que possibilite uma comunicação ativa e mostre as características especificas que o considere como aluno com deficiência múltipla.
            A pessoa com deficiência múltipla “é aquela tem mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (MEC/SEESP, 2002).
            Outras contribuições nos apresentam conceitos relevantes que diferenciam a deficiência múltipla da surdocegueira, no qual propõe compreender que ambas em um indivíduo o fazem uma pessoa com deficiência múltipla. Embora, pesquisadores conceituem como peculiar a junção de uma deficiência sensorial e outra deficiência de natureza física ou intelectual para própria caracterização.
            Para Mclnnes,(1966) nos explicita que a surdocegueira é uma deficiência única, que exige uma abordagem teórica mais específica e se dividem em quatro categorias:Indivíduos que eram cegos e adquiram a surdez; Indivíduos que eram surdos e adquiram a cegueira; Indivíduos que adquiriram a surdocegueira e Indivíduos nasceram ou que precocemente adquiriram essa deficiência, sem desenvolver a linguagem e as habilidades comunicativas ou cognitivas, que lhe deram oportunidades para elaborar conceitos sociais e familiar que pudesse viver com autonomia.
            Ainda nos leva a refletir que muitos indivíduos com surdocegueira congênita ou adquirida inesperadamente, e que têm deficiências associadas como: física ou intelectual tem a deficiência múltipla.  As quatro categorias que podem ser agrupadas em Surdocegos Congênitos ou Surdocegos Adquiridos. E dependendo da idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se classificá-la em Surdocegos Pré-Linguísticos ou Pós-Linguísticos.
            A classificação que Mclnnes(1999) conceitua de Surdocegos Pré-linguísticos quando a pessoa tornou-se surdocego com uma base de linguagem comunicativa estabelecida e ao contrário dessa situação encontram o indivíduo que adquiriu a surdocegueira ao nascer, ou seja, a Surdocegueira Congênita.
            Ao redimensionar um processo de ensino e aprendizagem para pessoas com surdocegueira e que tenha agregado a essa deficiência outra, a considera como uma pessoa com deficiência múltipla. Porém, teremos que buscar técnicas de atendimentos, pois a surdocegueira exige estudos e conhecimentos para ensinar e a se comunicar. Pois o indivíduo demonstra dificuldades para observar, compreender e imitar os comportamentos daqueles que são do seu convívio. Ao negar esses procedimentos visuais e auditivos é preciso trabalhar as técnicas da Libras que é Língua Brasileira de Sinais do surdo do Brasil, ou seja, a primeira língua da pessoa surda, depois a TADOMA(Sistema de comunicação na qual a pessoa com surdocegueira recebe a fala através do tato, a mão da pessoa com surdocegueira é colocada no queixo  e nas faces da pessoa falante para perceber todo sistema fonoarticulatório da palavra), DACTILOLOGIA e o BRAILLE. Aprender o Português escrito, escrever com os dedos nas costas das pessoas ou na palma da mão para comunicar-se. E pertinente a surdocegueira tenha a deficiência intelectual utilizar os recursos didático-pedagógicos, as Tecnologias Assistivas de baixo e alto custo.
            O AEE configura como um elo entre a sala comum, a comunidade escolar, com a família e com outros parceiros. Compartilhando informações, orientações, sugerindo recursos pedagógicos, promover adequação visual e tátil, que contribua com a participação dele na turma. Apresenta características peculiares das deficiências presentes no aluno como também mostrar como o educando aprende no caso da surdocegueira: A comunicação, o posicionamento, a organização espacial e estrutural da escola inclusiva e recursos para referenciar a comunicação, funcionalidade dos objetos para o uso pessoal como também para desenvolver atividades da rotina diária e para locomoção do aluno no espaço e no tempo.
            A escola que tem o AEE precisa proporcionar o profissional de TADOMA, LIBRAS e BRAILLE especialista nestas técnicas.



           





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

·         BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 1 – A pessoa com Surdocegueira. Capítulo 2 – A pessoa com Deficiência Múltipla. Capítulo 3 – Necessidades Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla.
·         MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET ALL. Diversidade na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. Curitiba: IESDE, 2010. 284p.
·         IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar.
·         Folheto FACT 3 – COMMUNICATION / Primavera 2005 – Lousiana Departamento of Education 1.877.453.2721 state Board of Elementary and Secondary Education. Tradução: Vula Maria Ikonomidis. Revisão: Shirley Rodrigues Maia. Junho de 2008.





Mossoró-RN

20/04/2014